Gamification – a melhor estratégia para a sua empresa

Gamification – a melhor estratégia para a sua empresa

 

A gamification recorre a técnicas a fim de instigar e aumentar os desejos naturais dos colaboradores, como competição, progresso, status, altruísmo, colaboração, entre muitas mais.

 
Rui Cordeiro

O conceito “gamification” é novo para muitas pessoas, sem saberem no entanto que costumam praticá-lo todos os dias. Significa o uso de mecânicas, dinâmicas e psicologia de jogo em contextos que não sejam… um jogo. Essas técnicas aplicam-se em diferentes áreas empresariais e sociais, tais como recursos humanos, gestão de tarefas, vendas, marketing, branding, educação, saúde ou desporto. O objetivo é encontrar soluções inovadoras e motivar determinado público a uma alteração comportamental. Consequentemente, estes fatores traduzir-se-ão no aumento da motivação dos colaboradores e produtividade da organização.

A American Air Lines foi das primeiras empresas a fazer experiências neste âmbito, aliando jogos ao segmento de negócios.  Em 1981 a companhia definiu os programas de fidelidade aérea como os conhecemos hoje. No entanto, só em 2003 surgiu o termo gamification, graças a Nick Pelling. Este movimento foi ganhando expressão e, em 2010, com uma palestra cativante da game designer Jane McGonigal, deu-se o boom e o conceito popularizou-se.  

Em 2015 a Gartner previu que, até o final desse ano, 50% das empresas de inovação usariam a gamification. Até 2018 este será um mercado de mais de 5 mil milhões de dólares (cerca de 4,4 mil milhões de euros) em todo o mundo. É esta a realidade que as empresas têm de adotar. A gamification, mais que uma eficaz ferramenta motivacional, é a linguagem do mundo atual.

 

Elementos de jogo

De acordo com Kevin Werbach, coautor do livro “For the Win: How Game Thinking Can Revolutionize Your Business”, introduzir elementos de gamification no ambiente de trabalho ajuda a motivar os colaboradores, “ativando uma variedade de triggers (gatilhos) psicológicos, nomeadamente o desejo de aperfeiçoamento, autonomia, significado, comparação social e realização”. Esses gatilhos são espoletados por elementos de jogo como points, badges, leaderboards ou sistemas de recompensas. Quando usados corretamente, são considerados poderosos, práticos e relevantes. No entanto, uma boa estratégia de gamification deverá ter em conta o mais amplo espectro de motivadores presentes no seu público-alvo. Por este motivo a gamification recorre a técnicas a fim de instigar e aumentar os desejos naturais dos colaboradores, nomeadamente competição, progresso, status, altruísmo, colaboração, entre muitas mais. No conjunto, estas mecânicas nunca devem ser consideradas um fator inibitório mas sim essenciais para o sucesso da organização.

 

Motivação intrínseca, estratégia de baixo custo

Um dos maiores erros cometidos quando se “desenha” uma estratégia de motivação é considerar o dinheiro (ou coisas) a recompensa mais vantajosa. Na verdade, são as recompensas intrínsecas (imateriais) que conferem maior motivação e estão intimamente ligadas ao trabalho realizado; elas geram envolvimento e criam identificação entre o colaborador e a empresa, dando sentido e importância ao trabalho desenvolvido. E vão fomentar o sentimento de competência e de progresso, identificando o trabalho como uma responsabilidade e uma oportunidade de crescimento profissional e de valorização pessoal. A aplicação de recompensas intrínsecas na empresa gera, por isso, motivação pessoal e assegura uma relação de trabalho mais duradoura e estável.

 

Reforço positivo, um aliado

Os sistemas de gamification revelam-se também formas de reforço positivo. Por outras palavras, reforçam um comportamento desejado, sendo a probabilidade de repetição dessa atitude maior. Enquanto líder há regras a ter em consideração para uma utilização eficaz de reforços positivos. Para uma utilização eficaz de reforços positivos há regras a ter em consideração. Assim sendo, não elogie ou critique demais (reconheça as habilidades/competências de todos e evidencie-as no momento certo mas evite o excesso de elogios); seja claro quanto aos comportamentos esperados, sem criar expectativas inalcançáveis; elogie publicamente e explique os motivos pelos quais a pessoa/grupo está a ser reconhecido; e dê oportunidades (muitas vezes, por falta de oportunidade ou por estarem na função errada, alguns profissionais não conseguem demonstrar todo o seu potencial e receber elogios).

 

Os dados estão lançados

Podemos concluir que a gamification chegou para ficar, e cada vez mais empresas implementam estratégias de negócios inteligentes baseadas neste conceito.  No entanto, não é estático. Vai depender da criatividade e das ferramentas disponíveis. Já o objetivo será sempre fixo, ou seja, criar soluções para melhorar a imagem da empresa, reforçar a relação com os clientes e fortalecer a motivação e empenho dos colaboradores.

Essa é a razão pela qual a sua empresa não pode escapar a esta tendência. Com a gamification, o esforço é recompensado e os colaboradores são o elemento essencial para o crescimento e desenvolvimento da empresa.

 
09-05-2016
 
 

RuiCordeiroRui Cordeiro, CEO e creative director da Fractal Mind, iniciou o percurso profissional em 1989 em Portugal, tendo trabalhado com insígnias como o Jornal de Notícias, a Portugal Telecom, o Benfica, a TVI, Vodafone, entre outras. Em 2004 muda-se para Paris, em França, onde ao longo dos anos trabalha em projetos como o Real Football 2004, o Top Spin 2 (para a Xbox 360) ou o Crash Bandicoot Nitrokart (um dos jogos incluídos no primeiro iPhone no mercado, e o top gross seller na AppStore quatro anos após o lançamento) e em empresas como a Activision/Blizzard Mobile, a MKO Games ou a Familia Games. Mais tarde, em 2012, torna-se consultor em inovação, gamification, game design e design thinking. De regresso a Portugal, no início de 2015 funda a Fractal Mind.
Afirma que “o papel do game designer é entreter; o papel do artista é fornecer ao público a forma da ideia, uma melhor experiência do que é viver o momento, sentir a vida no auge, mesmo que por apenas por um breve período de tempo. Estes são apenas alguns dos desafios para o designer social” que considera ser. E a gamification “surge no seguimento natural desta experiência e desta vontade”, diz Rui Cordeiro, acrescentando que “a fantástica capacidade transformadora dos jogos aplicada a todos os outros contextos será, sem qualquer dúvida num futuro muito próximo, não uma técnica mas sim a norma”.