Storytelling por 10 grandes líderes: como passam a mensagem pelo ruído

Storytelling por 10 grandes líderes: como passam a mensagem pelo ruído

As empresas, no sentido de se destacarem, precisam mais do que nunca de criar histórias concisas, coerentes e convincentes. E é aqui que os dotes de comunicação dos líderes são postos à prova. Parece-lhe tarefa hercúlea? Apresentamos-lhe exemplos de storytelling de sucesso por dez grandes líderes, para se inspirar!

Num mercado cada vez mais frenético, conseguir fazer com que a história da sua empresa capte a atenção de potenciais consumidores ou clientes pode ser um desafio. Daí que a forma como entra em contacto com o seu público-alvo e lhes conta a sua história (storytelling) faz “a” diferença

Todos os dias o utilizador médio de internet é bombardeado pelo equivalente a 174 jornais de dados, pelo que não é de admirar que o nosso cérebro de caçadores-coletores esteja a ter dificuldade em acompanhar o ritmo. Assim, no sentido de se destacarem no turbilhão de mensagens, as empresas precisam, mais do que nunca, de criar histórias concisas, coerentes e convincentes

No livro “Storyteller’s Secret”, o autor Carmine Gallo revela algumas das técnicas utilizadas por grandes líderes para fazerem chegar a sua mensagem aos destinatários. Seguem-se dez exemplos, e as lições que podemos aprender com as suas capacidades de storytelling.

1. Steve Jobs, fundador da Apple
Segredo de storytelling:
Ser apaixonado.
A forma como Steve Jobs se dirigiu ao público no seu famoso discurso na Universidade de Stanford, em 2005, com “mantenham-se famintos, mantenham-se loucos”, acumulou 20 milhões de visualizações no YouTube. O texto faz agora parte do Pages, o processador de texto do Apple Mac.
Lição: Partilhe a paixão que o motiva.

2. J.K. Rowling, autora
Segredo de storytelling: Estrutura.
No seu discurso na Universidade Harvard, em 2008, J.K. Rowling fez uma construção tripartida da sua história, com: 1) um “evento gatilho” (em que narrou os anos de desemprego e de monoparentalidade; 2) os detalhes de uma transformação épica (a altura em que começou a escrever a história de “Harry Potter”); 3) a lição de vida que aprendeu (“nunca vai conhecer-se realmente, ou a força dos seus relacionamentos, até ambos serem testados pela adversidade”).
Lição: Crie a sua lenda, destacando as dificuldades com que se deparou.

3. Howard Schultz, chairman e CEO da Starbucks
Segredo de storytelling:
Repetição.
Ao contar e recontar a história da descoberta da cultura de café expresso numa viagem de trabalho a Itália enquanto funcionário da Starbucks em 1983, Howard Schultz ajudou a impulsionar as credenciais da companhia enquanto marca de café sofisticada.
Lição: Recordar experiências pessoais ou eventos que inspiraram a sua empresa, repetindo-as até fazerem parte do folclore da organização. 

4. Bill Gates, fundador da Microsoft
Segredo de storytelling:
Surpresa.
Na TED Talk de 2009 sobre malária, Bill Gates abriu um frasco cheio de mosquitos à frente da audiência. “Não há nenhuma razão para que só as pessoas pobres tenham de passar pela experiência”, disse ao auditório o magnata e filantropo.
Lição: Chocar o público com eventos bem cronometrados, reviravoltas na história ou indo além das suas expetativas. 

5. Sara Blakely, fundadora da Spanx
Segredo de storytelling:
Concentrar-se num desafio.
Ao presentear repetidamente o público com a história de como cortou os pés de um par de meias para criar roupa interior que modela o corpo, Sara Blakely conta como iniciou uma revolução no segmento de lingerie e juntou uma fortuna de 1 bilião de dólares.
Lição: Leve as pessoas para o seu mundo, dando-lhes desafios com os quais se podem identificar.

6. Sir Ken Robinson, especialista em educação
Segredo de storytelling:
Humor.
O discurso de Ken Robinson em 2006, sob o tema “Como as escolas matam a criatividade”, ainda é a TED Talk mais popular de todos os tempos. Ao salpicar o discurso com piadas excelentes, quase o transforma numa performance de stand-up comedy. Com uma média de duas gargalhadas por minuto, o discurso teve mais piada que o filme Anchorman” (com Will Ferrell no papel principal e 1,6 gargalhadas/minuto). “Se se estão a rir, estão a ouvir”, observou Robinson sabiamente.
Lição: Se tem histórias sérias para contar, tente embrulhá-las com humor. 

7. Sir Richard Branson, fundador do grupo Virgin
Segredo de storytelling:
Simplicidade.
Richard Branson desenvolveu a arte do pitch de negócios no colégio interno quando tentou vender a revista de estudantes a patrocinadores através de um telefone público. “A dislexia moldou o meu estilo de comunicação – e o da Virgin”, afirmou. Isto porque a companhia “usava uma linguagem clara e simples. Se eu pudesse entender rapidamente um conceito, estava bom para seguir em frente”.
Lição: Concisão. Como diz Branson: “se algo não pode ser explicado na parte de trás de um envelope, então é lixo”.

8. Papa Francisco
Segredo de storytelling:
A “regra de três”
A formação jesuíta do pontífice ensinou-lhe que o cérebro humano se lembra com maior facilidade das coisas em sequências de três. “O homem desfigurou a beleza natural com as estruturas sociais que perpetuam a pobreza, a ignorância e a corrupção”, declarou o líder da igreja católica perante 6 milhões de pessoas numa missa ao ar livre em Manila em 2015.
Lição: Três é o número mágico – e um forte artifício retórico usado desde Aristóteles.

9. Chris Hadfield, astronauta
Segredo de storytelling:
Fotos.
A TED Talk do astronauta canadiano, “O que aprendi ao ficar cego no Espaço” teve uma ovação em pé. A pièce de résistance? A apresentação com 35 fotos que ilustram o incidente assustador de quando deixou de ver no meio de uma caminhada espacial. E que tem por base conhecimentos de neurociência: é mais fácil recordar imagens que palavras – vários estudos têm mostrado que as pessoas conseguem lembrar-se de mais de 2.500 fotos com 90% de precisão vários dias após as terem visto.
Lição: Imagens fortes (ou mesmo recorrer a analogias vívidas) são perfeitas para criar uma história memorável. 

10. Sheryl Sandberg, COO do Facebook
Segredo de storytelling:
Emoção em vez de dados.
Na Conferência TEDWomen de 2010 Sheryl Sandberg deixou de lado os dados que tinha preparado e falou de como a filha de três anos se tinha agarrado à sua perna antes de ela apanhar o avião para o evento, e das dificuldades que as mulheres passam para chegar a cargos de liderança. O discurso tornou-se viral, e mais tarde Sheryl Sandberg acabaria por escrever o livro “Faça Acontecer – Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar”.
Lição: Não forneça dados em demasia ao público – o quociente emocional (QE) é mais forte.


Fonte: Director

26-01-2017


Portal da Liderança