CEO é sinónimo de tendências psicopatas e falta de inteligência emocional?

CEO é sinónimo de tendências psicopatas e falta de inteligência emocional?


Há estudos que apontam nesse sentido. E que quanto mais se sobe na hierarquia das organizações maiores são as probabilidades de o quociente emocional ser diminuto… Mas por que é que tal acontece?  

Andrew Moore   

A tendência para a psicopatia e a falta de inteligência emocional parecem ser os ingredientes comuns do CEO moderno, que ignora que se trabalhasse mais o seu quociente emocional estaria a melhorar – e muito – o desempenho da sua liderança.

Mas os CEO têm mesmo pouca inteligência emocional? Ultimamente, no Reino Unido, não há uma única publicação de gestão e negócios que não faça referência a pesquisas recentes em que os CEO surgem no topo da lista de ocupações com tendências psicopatas. 

O top 10 dos profissionais psicopatas inclui advogados, vendedores, cirurgiões, personalidades de rádio e de televisão, jornalistas e… membros do clero. Uma mistura bastante eclética, portanto.

Isto não quer dizer que os CEO são assassinos de machado em riste, antes que têm características que se enquadram no diagnóstico clínico de psicopatia: charme superficial, falta de empatia, não sentir remorso ou culpa, ser manipulador, ter um exacerbado sentido de autoestima e a tendência para o tédio.

O espetro emocional superficial está ligado a uma fraca inteligência emocional – a incapacidade de compreender, de controlar ou expressar emoção ou de ser recetivo às emoções dos outros. Não é exatamente uma combinação vencedora no que concerne as relações interpessoais.

Por que é que a inteligência emocional parece diminuir à medida que se sobe na hierarquia? Há investigação que sugere que o grau de inteligência emocional tende a baixar quando se chega ao nível médio de gestão, em parte devido à pressão que se faz sentir sobre os líderes seniores, mas também por causa da falta de interação de muitos deles com as equipas à sua volta.

No entanto os CEO não têm falta de ajuda e de conselhos, por isso, a pergunta talvez seja: quando a administração tem a tarefa de atingir mais com menos e de forma mais rápida, há a hipótese de os CEO poderem exercer uma liderança motivacional capaz de extrair o melhor das pessoas? Como disse John Quincy Adams, sexto presidente dos EUA: “se as suas ações inspiram os outros a sonharem mais, a aprenderem mais, a fazerem mais e a serem mais, então é um líder”. Se não o fizerem, não é.

E depois há a chamada “gestão por osmose”, em que alguns líderes de empresas acreditam que o simples facto de anunciarem uma iniciativa de mudança é o suficiente para que tal aconteça. Só que colocar pressão para “despachar a coisa” sobre pessoas já de si sobrecarregadas não leva a lugar algum, exceto, talvez, ao aumento do número de novos programas fracassados.

É no melhor interesse de todos ter equipas altamente motivadas e produtivas. Mas para alcançar este objetivo é necessário haver liderança real, do tipo que estimula as pessoas a fazerem horas de trabalho de alta qualidade que contribuam para atingir uma meta estratégica. Do lado oposto, a alternativa acaba por ser “passar por entre a chuva” – algo que vemos muito – e esta não é uma forma de gerar mudança. Além de que os líderes de hoje ainda estão em grande parte fixados no planeamento a curto prazo. Para muitos, a principal preocupação é o custo – em vez do valor – algo que acaba por ser muitas vezes prejudicial a longo prazo.

Como podem então as organizações proceder a uma mudança de mentalidade? Uma solução poderá ser ter uma visão mais alargada na altura de recrutar para as posições de topo. Por exemplo, contratar mais líderes não-financeiros para o cargo de CEO pode comportar uma perspetiva positiva, conduzindo a uma mentalidade mais criativa e inovadora que equilibra com a necessidade óbvia de controlo financeiro.

A inteligência emocional é crucial em todas as funções de liderança e é a chave para obter o melhor das pessoas. Os líderes com um quociente emocional superior promovem de forma automática um maior nível de ligação e de empatia com as suas equipas, criando a cultura certa para um melhor desempenho.

Ou seja, os líderes que apresentam tendências psicopatas podem figurar nas manchetes, mas o que realmente importa é o enfoque no desenvolvimento de capacidades de liderança genuínas que inspiram as pessoas a chegar mais longe. Pelo que ajudar os líderes a desenvolverem o seu quociente emocional e a envolverem-se com a equipa de forma mais eficaz acaba por pagar dividendos. 

E a sua inteligência emocional, recomenda-se, ou há certas tendências a corrigir? Saiba mais com o survey “Avalie o seu nível de inteligência emocional”.

05-10-2015

Fonte: Director.co.uk

 


AndrewMoore Andrew Moore é COO na consultora britânica DAV Management.