Quarta Revolução Industrial: o que significa para as empresas

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Quarta Revolução Industrial: o que significa para as empresas

Estamos à beira de uma revolução tecnológica que vai alterar a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Enquanto líder, tem de estar a par do que vem aí, e o que significa para o exercício da sua liderança e para o funcionamento da sua organização.

O que é a Quarta Revolução Industrial? De modo sucinto: a Primeira Revolução Industrial usou a força da água e do vapor para mecanizar a produção; a Segunda utilizou a energia elétrica para criar a produção em massa; a Terceira recorreu à eletrónica e à tecnologia de informação para automatizar a produção. Agora, estamos perante uma Quarta Revolução Industrial, que está a erigir-se a partir da Terceira, e tem vindo a desenvolver-se desde meados do século passado; e que se caracteriza por uma fusão de tecnologias que está a esbater as linhas entre as esferas física, digital e biológica (como se pode ver pelo vídeo do Fórum Económico Mundial).

O impacto nos negócios
A aceleração da inovação e a velocidade da disrupção são difíceis de compreender ou de antecipar pelos líderes um pouco por todo o globo, e constituem uma constante fonte de surpresa, mesmo para os mais conectados e melhor informados. Já há, em todos os setores, provas de que as tecnologias que sustentam a Quarta Revolução Industrial estão a ter um grande impacto nas empresas. 

Do lado da oferta, muitas indústrias estão a assistir à introdução de tecnologias que criam novas formas de suprir as necessidades existentes e perturbam de modo significativo as cadeias de valor. A disrupção também surge do lado da concorrência mais ágil e inovadora que, graças ao acesso a plataformas digitais globais de pesquisa, de desenvolvimento, marketing, de vendas e de distribuição, pode derrubar os operadores históricos já bem estabelecidos mais rápido do que nunca, enquanto melhora a qualidade, velocidade ou preço pelo qual o valor é entregue. 

Também estão a ocorrer grandes mudanças no lado da procura, à medida que uma maior transparência, um maior envolvimento por parte do consumidor e novos padrões de comportamento deste (cada vez mais construídos sobre o acesso a redes móveis e de dados) obrigam as empresas a adaptarem o modo como projetam, vendem e entregam os seus produtos e serviços.

Uma tendência importante é o desenvolvimento de plataformas baseadas em tecnologia que combina a procura com a oferta para romper com as estruturas industriais existentes – é o caso das plataformas de “partilha” ou a economia “on demand”. Estas plataformas tecnológicas, facilitadas via smartphone, reúnem pessoas, ativos e dados – criando novas formas de consumir bens e serviços. Mais: diminuem as barreiras que empresas e indivíduos enfrentam para criar riqueza, alterando os ambientes pessoais e profissionais dos trabalhadores. Estas novas plataformas de negócios estão a multiplicar-se rapidamente em muitos novos serviços, que vão desde a forma como nos deslocamos ou fazemos compras, das tarefas do dia a dia ao estacionamento, passando pelas massagens, hospedagem ou as viagens. 

Os efeitos
De um modo geral, são quatro os principais efeitos que a Quarta Revolução Industrial tem nos negócios: nas expectativas dos clientes, no aperfeiçoamento do produto, na inovação colaborativa, e nas formas organizacionais. Os clientes estão cada vez mais no epicentro da economia, que se concentra em melhorar a forma como estes são servidos. Os produtos e serviços físicos, por outro lado, podem agora ser melhorados e potenciados com capacidades digitais que aumentam o seu valor. As novas tecnologias tornam os ativos mais resilientes, enquanto a análise de dados está a transformar a maneira como são mantidos. Por sua vez, um mundo de experiências do cliente, serviços baseados em dados, e o desempenho de ativos através da análise de dados exigem novas formas de colaboração, sobretudo tendo em conta a velocidade a que a inovação e a disrupção estão a ocorrer. Por fim, com o emergir de plataformas globais e de novos modelos de negócios, o talento, a cultura e as formas de organização vão ter de ser repensados

No geral, a mudança a partir da simples digitalização (a Terceira Revolução Industrial) para a inovação com base em combinações de tecnologias (a Quarta Revolução Industrial) está a forçar as empresas a reexaminarem a forma como fazem negócio. O bottom line é no entanto o mesmo: os líderes precisam de entender o seu ambiente em mudança, de desafiar os pressupostos das suas equipas, e inovar de forma implacável e contínua.

 19-07-2016


Portal da Liderança

Nota: Artigo realizado com base num texto publicado na Foreign Affairs da autoria do professor Klaus Schwab, fundador e chairman executive do Fórum Económico Mundial.