Fortunato Frederico: “Ainda preciso de realizar mais 50% daquilo que fiz até hoje”

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Fortunato Frederico: “Ainda preciso de realizar mais 50% daquilo que fiz até hoje”

O presidente da Kyaia, o maior grupo do setor português do calçado e uma referência internacional, afirma que, em termos de realização profissional, “como sou ambicioso, acho que ainda preciso de realizar mais 50% daquilo que fiz até hoje”. Passada a faixa dos 70 anos, Fortunato Frederico refere que é “a esperança no futuro” que o faz continuar a crescer e a desenvolver-se enquanto líder.

Com as marcas Fly London e Foreva no seu portefólio, o empresário considera que o hábito diário mais eficaz que qualquer líder deve desenvolver é “saber se no dia anterior ganhou ou perdeu dinheiro”.

Quando questionado sobre que conselho(s) daria a um funcionário que está a assumir uma posição de liderança pela primeira vez, o vencedor da categoria de Líder na Internacionalização na edição de 2012 dos Best Leader Awards responde, categoricamente, “para procurar ser o melhor entre os melhores”.

Nota: Entrevista cedida no âmbito dos Best Leader Awards 2016.

01-06-2016


Vanda Batista, Armanda Alexandre/Portal da Liderança


Fortunato Frederico, presidente do grupo português de calçado Kyaia, subiu a pulso, na vida e na carreira. Criado por uma freira, ingressa no seminário aos dez anos, onde adquire o gosto pela literatura e música. Estudou filosofia, gosta de ler Dostoievski, Jean-Paul Sartre ou Gabriel García Márquez; aprecia jazz, folclore russo e grego, e sobretudo música gregoriana. Aos 14 anos sai do seminário para começar a trabalhar na fábrica Campeão Português, a “universidade do calçado em Portugal antes do 25 de Abril”. A sua primeira função foi a varrer, passando depois a afinador de máquinas, e em seguida fica responsável por uma linha de montagem. Deixa este primeiro emprego em 1972, no que apelida de “tirocínio de quatro anos”, período em que é mecânico e vendedor de máquinas, com um fito: ir às feiras internacionais e conhecer a indústria do calçado. Em 1976, aos 33 anos, funda a própria empresa, em sociedade. Passados oito anos, cansado de trabalhar para as grandes insígnias e com o sonho de criar uma marca sua, constitui a Kyaia (numa homenagem ao local com o mesmo nome em Angola onde Fortunato Frederico passou grande parte do serviço militar) em conjunto com Amílcar Monteiro, colega na primeira empresa e que é hoje seu sócio. Aposta desde o início na internacionalização, em que a grande maioria da produção se destina à exportação, sobretudo para a União Europeia. Em 1989 a empresa de Guimarães avança com os primeiros dois projetos de deslocalização (devido à falta de mão de obra na zona): um para o interior de Portugal, com unidades de produção em Paredes de Coura, e o outro para o exterior, no Paquistão. Uma década depois do arranque da Kyaia, em 1994, atinge a meta da marca própria, com a Fly London, assente num conceito que vinha maturando – calçado moderno, jovem e arrojado – hoje com projeção à escala mundial. Em 2005 adquire a Foreva, uma das redes de lojas mais representativas do setor em Portugal, num investimento de 7,5 milhões de euros, passando a ter participação em toda a cadeia de valor do calçado. Um ano mais tarde lança uma nova marca, a Softinos. Em 2011, mantendo a vocação de internacionalização que caracteriza o grupo desde a fundação, mais de 85% das vendas são realizadas no exterior; nesse ano a Fly London é a 8.ª marca de sapatos mais vendida no mundo. Em 2015 a Kyaia regista uma faturação de 63 milhões de euros, com um aumento de 14,6% nas exportações. 
O empresário – várias vezes homenageado pelos seus funcionários pela visão estratégica – aposta em jovens quadros, sendo que a formação disponibilizada aos trabalhadores passa pela proximidade com os melhores técnicos de cada área. Uma parte significativa do seu tempo é dedicada ao contacto com a hierarquia interna e a uma reflexão estratégica contínua. Vencedor de vários prémios GAPI, atribuídos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial e Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, desde 1998 que Fortunato Frederico é presidente da APICCAPS - Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos. Enquanto líder associativo, tornou a APICCAPS numa referência em Portugal, e o setor do calçado o mais internacionalizado da economia lusa, assim como o que contribui de forma mais positiva para a balança comercial. Portugal passou ainda a exportar alta tecnologia de calçado. Entre 2000 e 2003 presidiu a CEC (Confederação Europeia da Indústria de Calçado), tendo lançado o World Footwear Congress (fórum mundial de reflexão). Liderou também vários projetos de investigação e desenvolvimento (I&D) em consórcio com entidades do sistema científico e tecnológico, assim como projetos mobilizadores do setor.