Sara Blakely: Como a criadora da Spanx transformou 5000 dólares num bilião

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Sara Blakely: Como a criadora da Spanx transformou 5000 dólares num bilião

Sara Blakely é a criadora de um produto do qual já deve ter ouvido falar, pelo menos se for mulher, chamado Spanx. Sara aparece na lista dos bilionários. É a bilionária "self-made woman" mais nova do mundo. De 5000 dólares em poupanças, aos 29, é hoje líder de uma empresa avaliada em um bilião, aos 41. E é dona de tudo isto.

É a bilionária feminina mais jovem do mundo e  líder de uma empresa avaliada em um bilião, aos 41 de que é dona. O que tem a dizer sobre isto? 

Sara Blakely (SB):  Penso que o dinheiro é algo maravilhoso. É bom partilhar. É divertido gastar. É divertido fazer. Sempre tive uma perspetiva positiva sobre o que dinheiro pode fazer.  

sara-blakely-2Sempre pensei, que iria ser advogada, quando era criança e portanto fiz os meus testes de admissão à escola de advogados (LSAT). Basicamente chumbei. Lembro-me que esse foi um momento que mudou a minha vida e que me colocou num outro caminho. A maneira como lidei com isto inicialmente foi tentar outra vez. Fiz o curso, tentei outra vez e quando as coisas não correram como esperava, perguntei a mim mesma: “O que é que a vida me está a tentar dizer? Será que tenho um percurso diferente? Devo estar aberta a outras coisas? E foi isso que me colocou no caminho que levou à criação da Spanx.

Penso que o que me surpreendeu mais com o percurso Spanx foi o impacto emocional que a marca e estes produtos tiveram nas vidas das mulheres. Não esperava isso. Estava à procura de linhas de cueca não visíveis e de um visual limpo em calças brancas e as mulheres ficaram emocionalmente impactadas e agradecidas à nossa marca. Foi um sentimento incrível.

A Spanx já existe há 10 anos e meio, quase 11. Pode dizer-nos que momentos da sua carreira, até ao momento, são os que mais se orgulha por ter alcançado? 

(SB): As coisas de que mais me orgulho de ter conseguido são atingir este nível de sucesso, que vai para além dos meus sonhos, e fazê-lo de uma forma com que sinta que ainda posso olhar-me ao espelho e sentir-me bem com o como cheguei aqui. 

O meu momento Oprah. Receber a chamada dela, a minha primeira oportunidade para vender o meu segundo produto na QVC (canal de televisão de vendas) e vender mais de 8000 produtos em 6 minutos e ver que não foi apenas um golpe de sorte. 

E depois lançar-me internacionalmente, construir uma equipa. Existiram momentos onde me senti orgulhosa das diferentes fases do meu percurso Spanx.

Pode-nos contar um pouco sobre quem é que a influenciou no seu caminho para o sucesso?

sara-blakely-3(SB): As pessoas que me influenciam mais, para além da minha família, foram o Wayne Dyer, a Oprah Winfrey e o Richard Branson. O Wayne Dyer foi meu mentor, através dos seus CDs, e ensinou-me a pensar de uma forma que me permitiu viver o meu potencial e que me levou onde eu estou agora. Com Richard Branson é tudo sobre sair da sua zona de conforto. Temos muitas semelhanças no nosso branding, nas nossas empresas e em termos de marketing e relações públicas, o facto de ele ser a cara da marca Virgin. Aprendi muitas lições ao observá-lo e a falar com ele sobre isso. A Oprah sempre me ensinou sobre o poder de ajudar os outros e sobre o poder de ser autêntico. Ela é quem diz ser e isso é poderoso. 

Um exemplo de como eu ajudo os outros é através de um programa na Spanx onde realçamos uma empresária feminina que está começar, como eu comecei, e que colocamos no nosso catálogo, que é recebido por mais de um milhão de leitores. Não ganhamos nada com isso, a não ser a esperança que ela consiga dar aquele passo em frente no início do seu negócio.

Onde é que vê a Spanx na próxima década?

(SB): Na próxima década vejo a Spanx a tornar-se global. Em todo o lado. Nenhum rabo irá ficar para trás. Vai estar em todo o mundo e irá tornar-se numa marca inspiradora que transcende categorias. Já transcendemos a idade. Já temos uma linha masculina. Portanto vejo que existem imensos aspetos que podemos melhorar e essa é a verdadeira inspiração por trás da marca Spanx.

Que conhecimentos fundamentais que adquiriu com a sua experiência pode partilhar com outros líderes de startups? 

(SB):  

  • Sobre recrutamento 

Eu diria que deve contratar as suas fraquezas ou aquilo que não gosta de fazer assim que for possível. E sempre que puder delegue ou clone-se e tente ganhar apoio adicional. Isso é um grande momento numa pequena empresa. Eu contratei o meu CEO cerca de 2 anos depois de ter começado a Spanx e até esse ponto, quando não se tem dinheiro, é você que tem que ser todos os departamentos. Aprendi rapidamente onde era boa, onde não era, o que gostava e o que não gostava. Mal podia esperar para contratar alguém para preencher as lacunas das minhas fraquezas e para eu me concentrar nas minhas forças.

  • Sobre relações públicas 

sara-blakely-4Nunca fiz publicidade. A Spanx tem 11 anos e nunca fizemos publicidade nem nunca tivemos um relações públicas fora da Spanx. Entrevistei muitas empresas de relações públicas aqui em Nova Iorque, viajei até aqui, andei para trás e para a frente. Foi uma decisão muito turbulenta e acabei por chegar sempre à conclusão, de que era melhor para mim ter alguém interno, que eu sabia que acreditava realmente no produto e que tinha paixão por aquilo e que não era necessariamente pago para dizer algo a alguém. Nos negócios, coloco-me sempre na extremidade do processo pensativo das pessoas. Portanto, nesse sentido, pensei que se eu fosse o jornal e recebesse uma chamada de uma agência de relações públicas que sei que me tinha ligado anteriormente por causa de outros sete produtos e que estavam a ser pagos por alguém para me dizer isto, isso teria mais impacto ou menos impacto do que alguém que me liga e que tem paixão pelo produto que criou ou alguém que trabalha para a empresa? E foi nisso que me baseei. Sei que muitas empresas fizerem coisas extraordinárias e eu sou uma grande defensora de relações públicas, seja ele feito interna ou externamente. Eu acabei por decidir fazê-lo internamente.

  • Sobre concorrência 

Uma das grandes coisas que posso dizer é para diferenciar-se e ser obsessivo sobre isso. Fale consigo ao espelho ou seja capaz de dizer a qualquer pessoa em 30 segundos ou menos porque é diferente, porque o que existe no mercado não é tão bom e porque o consumidor precisa daquilo. Que benefício terá para o cliente?

  • Sobre materiais de internet 

Recordo-me que na minha homepage, e até em todo o meu material de marketing, tentava ser muito concisa. Tinha uma folha de papel e no primeiro parágrafo tinha quem eu era, uma fotografia com a minha cara e a razão pela qual fazia o que fazia. O segundo parágrafo tinha uma imagem do produto, a razão pela qual o tinha criado, porque era único e porque não havia nada como aquele e porque o consumidor tinha que comprar este em vez de um outro qualquer. No final colocava onde podia comprar o produto, e inicialmente era só uma loja. Era comprar na Nemans ou em três lojas em Atlanta ou qualquer coisa assim. Mas penso que é estar claro sobre alguém identificar o seu produto, o seu nome, a sua história, quem é, porque o fez e ser levado a querer experimentar o produto.

  • Sobre serviço ao cliente 

Penso que os clientes querem que falem realmente com eles. E penso que muitas empresas falam com os clientes de uma maneira tão bajuladora que nem parece real. Desde o primeiro dia que nunca tentei esconder que sou a rapariga do apartamento com a mochila vermelha. Esta sou eu. E eu acho que se for honesto desde do início, as pessoas acabarão por torcer por si e que serão mais as portas a abrir-se. Algumas pessoas começam as suas empresas e tentam parecer maiores do que realmente são, porque acham que é a única forma de serem levados a sério. Mas se souber que o seu produto é ótimo e porque o fez, não tem que pedir desculpa por estar fora da sua casa ou do seu apartamento ou por este ser pequeno.

 

 


sara-blakely-1Sara Blakely, empreendedora americana, é a fundadora da Spanx. É a mais jovem mulher multimilionária do mundo criadora da sua própria riqueza. Em 2012 foi referida pela Times 100, que apresenta anualmente as 100 pessoas mais influentes no mundo. Em 2006 criou uma fundação com o seu nome que se dedica a ajudar mulheres em termos educativos e de formação empresarial, financiando ainda bolsas de estudo para jovens mulheres no Community and Individual Development Association City Campus na África do Sul.