António Simões: Estamos a olhar para o Chile, Argentina e Califórnia

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António Simões: Estamos a olhar para o Chile, Argentina e Califórnia

António Simões, CEO da Sovena e Vice-presidente executivo da Nutrinveste e vencedor do Best Leader Awards* 2013, em entrevista ao Portal da Liderança confessa que "A Nutrinveste é hoje a segunda maior a nível mundial ao nível dos azeites" e que estão hoje "a olhar para o Chile, para a Argentina e para a Califórnia". 

Portal da Liderança (PL): Quais as alavancas da sua liderança que lhe permitiram sustentar o sucesso da Sovena e da Nutrinveste?

PL: Na sua opinião, quais as caraterísticas fundamentais de um líder? 

PL:  Como é que se passa de uma concentração de vendas no mercado interno para 80% no exterior? Qual é o driver?

António Simões (AS): A resposta elementar é que o caminho se faz caminhando. A Nutrinveste nos últimos 10 anos passou de um conglomerado com empresas fantásticas, rendimento elevado e marcas conhecidas no mercado, para uma outra opção de negócio. No momento em que a decisão foi tomada não era o mais excitante do ponto de vista da rentabilidade que tínhamos no portefólio de negócios, mas era aquela que nos dava uma capacidade de internacionalizar, de vir a ser consolidantes. Diria que seguimos o caminho da procura por onde estava o consumo e a matéria-prima. Estamos a falar do crescimento no negócio do azeite. Em 2001 eramos praticamente insignificantes. Hoje a Sovena é o 2º player a nível global no azeite e está presente em todos os sítios onde se consome azeite, contando com uma presença física em Portugal, Espanha, Estados Unidos, Tunes, Brasil e Angola, e com participações em lagares no Chile. Hoje está integrada na cadeia de valor não só vendendo os seus produtos, mas inclusivamente produzindo a sua matéria-prima em alguns casos, com investimentos significativos ao nível da agricultura. 

Neste processo por que passámos, começámos por exportar e em determinado momento chegámos à conclusão que não chegava e começámos a deslocalizar, procurando num primeiro passo a Espanha. Ter um negócio de azeite e não estar em Espanha, que é o primeiro produtor de azeite a nível mundial, foi a escolha óbvia. A partir daí começámos a desenvolver a exportação. Depois comprámos uma marca no Brasil e hoje somos a 2ª empresa a operar no negócio do azeite no país. No caso dos EUA, este é o primeiro mercado não produto, que representa quase 10% do consumo mundial de azeite, e olhando para a logística entendemos que tínhamos de lá estar e hoje embalamos e somos o primeiro importador de azeite no país e trabalhamos com as grandes cadeias americanas ao nível do retail e do full service. 

PL:  Fizeram toda esta caminhada subindo sempre na escala de valor?

AS: Tudo isto foi feito subindo na escala de valor. Este tem um segmento de nicho, onde é valor acrescentado, mas o mass market é commoditiezado. Há que estar nas duas porque o negócio de nicho justifica-se mesmo sendo um negócio mais pequeno, mas estamos principalmente no negócio do mass market.

PL: Foi o vencedor do Best Leader Awards 2013 na categoria de Líder na Internacionalização. Qual a importância que este prémio teve para si?  

PL: Qual o momento do seu percurso profissional que foi decisivo para chegar onde está hoje?

PL: Qual é o próximo desafio que se lhe depara?

AS:  Andamos à procura de consumidores. Continuamos a apostar nos EUA, embora estes tenham um per capita baixo. Costumamos dizer que se os EUA tivessem um per capita igual ao de França, que também não são grandes consumidores de azeite, duplicávamos o seu consumo. Isto implicaria ter capacidade para deslocalizar a produção e, inclusivamente, em algumas circunstâncias fazer a originação fora daquilo que é hoje a origem do azeite, que reúne 98% na bacia do Mediterrâneo. Temos neste momento investimentos no Chile, estamos a olhar para a Argentina, para a Califórnia, e estamos também a olhar para outras geografias. Os chineses estão-se a encantar com o azeite. No ano 2012 foram o primeiro importador de azeite de Espanha, estão a crescer a dois dígitos e provavelmente em dois anos vão ultrapassar o Brasil e aí será binário, ou gostam de azeite ou não gostam de azeite. Se gostarem provavelmente vão criar um desequilíbrio entre a oferta e a procura e daí estarmos hoje muito focados no aproveitamento de oportunidades a nível das plantações, aproveitando tudo o que nos dá o Alqueva, tudo o que são origens que nos podem permitir ter azeite no hemisfério norte e no hemisfério sul e assim desfasar no tempo, na competitividade nos custos, inclusivamente procurando estar a produzir em sítios que podem estar protegidos do ponto de vista de pauta aduaneira ou de relações comerciais, como é o caso da Mercosul ou as relações que Marrocos tem com a UE ou com os EUA. É ir vendo onde está o consumo, dominar a cadeia de valor, ser altamente competitivo em custos e ajustar a oferta, onde a origenação é muito importante. É ir caminhando, o que não é fácil sendo-se português.

PL: Qual o papel da liderança no desenvolvimento da inovação empresarial?

AS:  No azeite a inovação é claramente uma fator de diferenciação e de melhoria da competitividade. Nós trabalhamos muito a inovação sob o ponto de vista do produto e do processo. Ao nível do olival, menciono alguns exemplos. Os 10 mil hectares que temos espalhados pelo mundo são todos geridos, sob o ponto de vista do que é a irrigação e a fertilização, a partir de uma central que temos em ferreira do Alentejo. Estamos a trabalhar com a Universidade de Córdoba e com outros institutos do ponto de vista do desenvolvimento da forma de rentabilizar o hectare plantado do olival. Por exemplo, um olivar super-intensivo hoje, num hectare plantam-se entre 1600 a 1900 plantas, que podem produzir até 10 mil quilos de azeitona e 2 mil litros de azeite. Estamos a trabalhar num protótipo, um clone de duas variedades, que pode permitir passar para 3 mil plantas por hectare. A terra é um bem escasso e um dos custos fixos ao nível do produto final. Ter mais 50% de massa foliar a produzir azeitona é uma melhoria de competitividade significativa. Estamos a trabalhar em sistemas de poda 100% automáticos. A colheita já é 100% automática. Estamos também a trabalhar com uma equipa de investigação para determinar qual o momento certo para fazer a colheita da azeitona na procura por mais rendimento e melhor qualidade. Penso que quando se olha para a cadeia de valor, a inovação é claramente um fator determinante e é o papel da liderança e das equipas sob o ponto de vista multidisciplinar.

*O Best Leader Awards é uma iniciativa promovida pela Leadership Business Consulting, que visa distinguir anualmente as personalidades que se destacaram como “Líderes” em vários domínios. O Best Leader Awards é uma TradeMark registada internacionalmente.

 


Antonio-Simoes-Nutrinveste-SovenaAntónio Simões é vice-presidente executivo da Nutrinveste, presidente do Conselho de Administração e CEO da Sovena, bem como presidente do Conselho de Administração da Elaia (joint-venture da Sovena com a capital de risco espanhola Atitlán nos olivais), estando no grupo desde 1993. Licenciado em economia pela Faculdade de Economia do Porto, entre 1976 e 1988 foi monitor, assistente e assistente convidado na instituição onde se formou. Hoje, além, das funções que desempenha no universo Nutrinveste, é também, desde o ano passado, presidente do Consejo Asesor do Instituto Internacional San Telmo, business school situada em Sevilha.