Camilo Lourenço: Não conheço melhor país para assegurar o futuro do que a Alemanha

Watch the video

Camilo Lourenço: Não conheço melhor país para assegurar o futuro do que a Alemanha

Camilo Lourenço, jornalista e comentador económico português, destaca a liderança de Zeinal Bava e a visão de António Mexia, ao contrário dos gestores da distribuição, que entende terem falhado. Para este, "um bom visionário não é necessariamente um bom executante" e que Portugal, sendo "um país pequeno não manda, associa-se" .


O falhanço de muitos líderes e empresas passa por uma grande incapacidade para comunicar internamente.



Portal da Liderança (PL) : Foi um dos fundadores do Diário Económico. O que levou à sua criação?

Camilo Lourenço fala sobre a aventura da criação do Diário Económico, onde foi um dos jornalistas convidados a integrar o projeto desde a primeira hora.

PL: Foi diretor de diversas publicações. Qual a situação que o fez aprender mais em termos de liderança e o que aprendeu? 

Camilo Lourenço destaca na sua experiência enquanto jornalista, o Correia da Manhã, onde refere ter aprendido muito. Aborda a questão da perceção dos diretores dos jornais sobre qual a sua função, que entende estar errada. Já na liderança destaca a Abril Control Jornal e os inputs que a experiência de trabalho no Brasil lhe trouxe e, enquanto diretor, o pensar também a componente do negócio.

PL: Onde mais tendem a falhar os líderes? 

Camilo Lourenço aponta os egos dos líderes como o motivo pelo qual estes mais falham. Analisando a liderança, entende que há um défice de líderes em Portugal devido à perceção errada sobre quais as funções que lhes são atribuídas. Aos líderes atribui a função de inspirar pessoas e de liderá-las mas em função de um projeto.

PL: É orador habitual em palestras em empresas nacionais e internacionais. Precisam os líderes de trabalhar as suas capacidades de comunicação? Quais os conselhos que lhes dá para comunicarem melhor interna e externamente à organização? 

Camilo Lourenço refere as competências de comunicação como aquelas em que encontram mais falhas ao nível da liderança, quer a nível externo quer interno nas organizações, atribuindo-lhes mesmo a responsabilidade pelo falhanço de muitos líderes e de organizações. Este faz uma análise das maiores falhas e dificuldades ao nível da comunicação na liderança nacional, atribuindo-as muitas vezes a inseguranças que podem ser trabalhadas e superadas, mas que precisam de ser reconhecidas pelo líder e que este aceite ajuda externa nesse desenvolver de competências.

PL: A nível da liderança empresarial, quem destaca como o melhor e o pior nos últimos anos? E porquê?

Camilo Lourenço entende que, relativamente à liderança empresarial portuguesa, “em termos gerais, não nos podemos orgulhar”, mas refere que esta tem “mudado muito nos últimos 10 anos”. Em termos de líderes portugueses destaca Zeinal Bava “enquanto líder transformacional e inspiracional”, discorrendo sobre o porquê desta escolha e porque o aponta como um “líder fantástico”. Destaca ainda António Mexia referindo que, embora opere num setor protegido, o vê como um bom gestor. Negativamente aponta os gestores da distribuição, que pensava que iriam ser muito promissores mas em que tal não se verificou, referindo a Sonae e a Jerónimo Martins, ambas a falharem no Brasil, e que estes “deviam ter percebido muito mais cedo que precisavam de ir para fora”. Positivamente destaca ainda algumas pequenas empresas que estão a dar cartas “em mercados onde tradicionalmente dizemos que é complicado lá chegar”.

PL: Quais as oportunidades de negócio que o país encerra e que devem ser rentabilizadas? 

Para Camilo Lourenço, as reformas estruturais que estão a ser feitas “não têm resultados imediatos” mas vão trazer um grande impacto e “ter um efeito brutal no emprego”. Segundo este, Portugal “tem vantagem em todas as áreas, temos é de saber gerir e aproveitar”, dando como exemplo a atuação dos alemães e a arbitragem que fazem e que “temos de aprender a fazer”. Faz ainda uma análise da Auto Europa, Siemens, Leica e Bosh, todas lideradas por gestores portugueses, tratando-se “não de meros centros de produção mas de centros de investigação”, exemplos que apresenta do que precisamos de captar para Portugal em vez de “perder tempo com ninharias como insultar os indivíduos, em vez de tirar vantagem daquilo que eles nos podem trazer”. Para Camilo Lourenço, “há um complexo muito grande em Portugal em relação aos alemães”, que acredita serem “os mais federalistas da Europa” porque “sabem que não podem ficar sozinhos”, e explica porquê, referindo que “não conheço melhor para assegurar o futuro da Europa do que a Alemanha”.

PL: Quais são as três qualidades mais importantes para um líder nos próximos 10 anos? 


Camilo Lourenço destaca como as três qualidades mais importantes num líder nos próximos anos a flexibilidade, a visão e a capacidade de perceber que um bom visionário não é necessariamente um bom executante. Para este, a capacidade para distinguir a capacidade de visão da de execução é muito necessária aos gestores portugueses, pois entende que se falha muito nesse campo e que muitas empresas fecham pela falta desta capacidade, atribuindo-a à falta de humildade.

 

Continue a seguir a entrevista na sua 2ª parte, referente à liderança política.


Camilo-LourencoCamilo Lourenço é jornalista económico e docente universitário. Licenciou-se em Direito Económico pela Faculdade de Direito de Lisboa e passou ainda pela Universidade Católica, Columbia University e University of Michigan, nos EUA, onde estudou Jornalismo Financeiro, de Marketing e Economia. Comentador da RTP, RTP Informação, TVI e da Media Capital Rádios, Camilo Lourenço apresenta ainda, na TVI, o programa «Contas na TV», esclarecendo dúvidas dos telespectadores sobre finanças pessoais. Em 2010 começou a fazer palestras de formação dirigidas a quadros de empresas portuguesas e multinacionais, em áreas como Liderança, Marketing e Gestão. Em 2012 lançou "Basta!" que depressa se tornou um êxito de vendas e um livro de referência, e em 2013 "Saiam da Frente!".