Jonathan Littman: Empresas como a Apple estão à procura do potencial cliente mais do que se imagina

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Jonathan Littman: Empresas como a Apple estão à procura do potencial cliente mais do que se imagina

Para Jonathan Littman, Especialista em Inovação e Empreendedorismo e speaker do Programa Executivo GSI, "Não há melhor local no mundo do que Silicon Valley para aprender como conseguir fazer com que uma empresa cresça rapidamente" e acredita que "o cliente sempre foi importante", mas que "não temos hoje empatia suficiente para com ele".

Portal da Liderança (PL):  É professor de inovação e empreendedorismo na Universidade de São Francisco, Califórnia, e coautor de dois bestsellers sobre inovação. Como podem os empreendedores e empresários falantes do português beneficiar de uma experiência em Silicon Valley?

Jonathan Littman (JL): Penso que, hoje em dia, os executivos e os empreendedores de todo o mundo vêm a São Francisco em busca de uma imersão na cultura que aqui se vive. A cultura remonta a 40 anos atrás, mas o que aconteceu de relevo recentemente, aconteceu em São Francisco e em Silicon Valley.

Temos grandes empresas, empresas de média dimensão e 100, se não mesmo 1000, startups e tudo muda realmente muito depressa por aqui. Assim, não há melhor local no mundo para aprender algumas das engrenagens sobre como conseguir que uma empresa cresça rapidamente. Não é Nova Iorque, não é Boston, não é o Texas. Então, se veio para aqui por uma semana ou duas, irá aprender através desta tecnologia de ponta, desta cultura avançada, de uma forma que não seria possível em qualquer outro lugar.

PL: Por que é que o design thinking é tão importante nos dias de hoje? 

JL: Acho que o cliente sempre foi importante e é disso mesmo que trata o Design Thinking. Acho que nos esquecemos disso e não temos hoje empatia suficiente para com o cliente. O Design Thinking começa pelo que é doloroso para o cliente, o que é muito difícil e leva muito tempo. De seguida, comece a olhar para o percurso do cliente, mesmo antes deste pensar em comprar o produto e serviço que tem para lhe oferecer e, de seguida, tê-lo-á concebido através da competência e do talento, mas também através da empatia. As melhores empresas, como a Apple e algumas das grandes empresas que aqui temos, estão à procura do potencial cliente mais do que consegue imaginar. Não é só através de questionar o cliente, mas também de observá-lo e imaginar o que este poderá fazer.

PL: Dedicou seis anos a entrevistar e estudar os princípios fundamentais da IDEO. Quais são e como podem ser úteis a outros líderes empresariais? 

JL: Tive a sorte de ser coautor do "Art of Innovation" e do "As Dez Faces da Inovação", com o Tom Kelly da IDEO e a IDEO é verdadeiramente a empresa pioneira da inovação na América. Nos últimos 10 anos, a IDEO tem feito acontecer a inovação numa série de lugares onde não costumava ser uma realidade. A inovação era habitual apenas em produtos e equipamentos técnicos, computadores e medicamentos. Atualmente, a IDEO trouxe a inovação para a projeção de experiências, para o desenho de edifícios e até mesmo para redesenhar países. Esta forma estratégica de olhar para as coisas tem sido levada a todos estes mundos. Quando penso no que a torna possível, constato que envolve quatro coisas: Antropologia, com grandes constatações, as constatações iniciais e inspiradoras dos clientes e as suas experiências, e, de seguida, numa espécie de componentes culturais a nível internacional, que não é mais que a Cross-Pollination. Através desta, tentamos pegar em coisas de outros países e de outras indústrias e trazê-las para o seu produto ou o seu serviço, de uma nova forma. De seguida, é, claro, começar a experimentar. O Prototyper é a base do empreendedorismo, o centro da inovação, o falhar rápido para ter sucesso mais cedo, através de muitos protótipos rápidos e baratos. Para mim, o quarto, e uma espécie de ponto de partida, é aquilo a que me dedico, o Storytelling. É necessário enquadrar tudo o que está a fazer. Você tem que apresentar a empresa aos investidores, que fazer o mesmo para com a equipa executiva, e tudo isto não é mais que mostrar-se a si mesmo, o que a sua empresa irá ser ao longo de todo o seu percurso, o que é essencial e inultrapassável.

PL: O que recomenda aos líderes empresariais falantes do português, interessados em operar nos EUA para serem mais bem-sucedido no país? 

JL: Acho que é preciso virem até cá. Primeiro, vir cá durante uma semana ou duas semanas e enviar de seguida uma pequena equipa piloto, e tomar o compromisso de conseguir ficar cá pelo menos durante alguns meses. Mais uma vez, não basta estar em Nova Iorque, não basta estar em Londres. Não é a mesma coisa. Tem que cá estar. Tem que ir para fora da sua língua e cultura materna, e não apenas interagir com outras pessoas falantes do português, ou mesmo apenas com europeus. Uma das coisas que aqui temos, é uma presença da Ásia, da América do Sul, da América e da Europa. Terá que se misturar com todas essas culturas e com diferentes tecnologias e, muitas vezes, irá encontrar algo noutro setor, noutra tecnologia, isto caso a sua rede de contatos seja suficientemente extensa, se você for a um número suficiente de eventos e se andar por aí.

 


Jonathan Littman-1Jonathan Littman é professor de Inovação e Empreendedorismo na Universidade de San Francisco e parte integrante do Programa Executivo Global Strategic Innovation, promovido pela Leadership Business Consulting. No âmbito deste programa, Littman promove sessões e workshops interativos sobre o tema da Inovação e do Empreendedorismo, baseados nos conceitos do Design Thinking,  também presentes no seu livro “As 10 Faces da Inovação”, escrito em coautoria com Tom Kelly, o CEO e fundador da IDEO, empresa líder mundial em design de produtos, serviços e negócio.