Lições de liderança de Shakespeare

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Lições de liderança de Shakespeare

Nancy Koehn, historiadora e professora de gestão de empresas na Harvard Business School, apresenta-nos lições de liderança numa das obras mais conhecidas de Shakespeare, “Hamlet”, e que considera fundamentais aos tempos que se vivem.  

Koehn considera que a cena do 1.º ato de Hamlet – na despedida entre Polonius e o seu filho Laertes quando este vai estudar para Paris – embora tendo sido escrita por volta de 1600, apresenta grandes lições de liderança que não devem ser esquecidas nestes tempos de crise e em que se vive uma cada vez maior globalização. Neste sentido, destaca nove lições de liderança:

1. Passe à ação
A historiadora refere que, hoje, com tantos desafios e oportunidades, é muito fácil o líder ficar-se pelas palavras. Na sua interpretação, Shakespeare aconselha-o a parar de falar e de adiar e passar à ação.

2. Escolha cuidadosamente os seus colaboradores/amigos
Segundo a professora, Shakespeare diz para escolher os seus colaboradores com cuidado, não investir em pessoas que não conhece bem, com quem ainda não privou e que não sabe com certeza do que são capazes. Mas, assim que as conheça e se acreditar no seu potencial, deverá mantê-las próximas de si.

3. Pratique um grande discernimento
Shakespeare recomenda que se lembre do que anda a fazer e que use o tempo para estar com quem conhece e confia, pessoas cujos valores e focos de vida estejam em conformidade com os seus. “Invista o seu tempo, seja de trabalho ou pessoal, sabiamente. Use as suas energias cuidadosamente. Acima de tudo, faça uso de um grande discernimento.”

4. Mantenha-se fiel às suas convicções
Não procure problemas, não crie conflitos nem fomente a discórdia, mas , caso se veja envolvido numa, mantenha-se fiel às suas convicções, fixe-se no que acredita e que seja firme, sem recuar.

5. Oiça sempre
Para Koehn, Shakespeare destaca a importância de ouvir os outros, ouvir bem e ouvir sempre. Não tenha pressa em falar, em interromper a pessoa ou aquilo que precisa de ouvir. “Seja respeitoso para com os outros, conheça-se bem e aos seus objetivos e continue a ouvir.”

6. Não seja rápido a julgar
Koehn refere que Shakespeare diz para ver, observar e considerar as pessoas com quem interage, as que conhece, com as quais faz negócio e, ao mesmo tempo, estar alerta para que não seja rápido a julgá-las.

7. Cuide da sua apresentação
Segundo a professora, Shakespeare está a falar da importância de como se mostra ao mundo e do tipo de sinais que dá aos outros. Refere que deve ter cuidado em como se veste e apresenta, devendo fazê-lo com elegância mas sem ostentação ou exagero. Este alerta-o para o facto de a maneira como se apresenta ser a sua “montra” e influenciar a forma como os outros o veem e mesmo o consideram.

8. Mantenha as suas finanças equilibradas
Shakespeare aconselha a não emprestar nem a pedir demasiado, uma vez que a dívida, seja de que forma for, pode tornar-se perigosa se for muito grande. “Esta pode prejudicar a sua relação com os outros e ser prejudicial em termos produtivos.” Aconselha-o por isso a manter a simplicidade e o equilíbrio.

9. Conheça-se a si mesmo
Koehn refere que Shakespeare recomenda que se conheça a si mesmo. “Conheça os seus pontos fortes, os seus valores intrínsecos, qual a sua missão devida e trabalhe, aja e movimente-se a partir desse conhecimento. Não se desvie dele, seja-lhe fiel, e a sua caminhada enquanto líder e pessoa será eficiente e poderosa.”

A historiadora diz que, ao fim e ao cabo, Shakespeare sugere um passo atrás para que o líder clarifique o que realmente valoriza e o move, de modo a conseguir liderar com dignidade e gerar impacto e valor.

 

Nancy F. Koehn é professora de gestão na Harvard Business School. Historiadora na mesma instituição, e investigadora em liderança empreendedora, e em como os líderes, do passado e do presente, constroem vidas com um propósito, valor e com impacto. Autora de vários livros, entre eles “The Story of American Business: From the Pages of the New York Times”. Escreveu e orientou estudos de caso sobre Bono e os U2, Oprah Winfrey, a Whole Foods, a Starbucks Coffee Company, Ernest Shackleton, Stonyfield Yogurt, Wedgwood, Estée Lauder, Henry Heinz, Milton Hershey, Celeste Walker, Marshall Field, Dell Computer, entre outros líderes e organizações. Escreve regularmente para o New York Times, o Washington Post e a Harvard Business Review Online, sendo comentadora habitual no National Public Radio e a BBC.  Em 2012 a Poets and Quants classificou Koehn como uma das 50 melhores professoras de gestão a nível mundial.