Valorize a equipa ao colocar 6 questões

Valorize a equipa ao colocar 6 questões

Os líderes ou responsáveis de equipa podem colocar questões para se certificarem que os colaboradores sabem que se importam com eles. Afinal, as perguntas estão entre as ferramentas simples e eficazes para a liderança aprender mais sobre as suas organizações e fazer com que os funcionários se sintam valorizados, diz o escritor Warren Berger, que reuniu na sua obra mais recente as melhores questões colocadas por líderes, empreendedores, académicos, entre outros.

Curiosidade e interesse são traços primordiais da liderança. A melhor maneira de os CEO aprenderem mais sobre as suas cada vez maiores e mais complexas organizações é ao fazerem perguntas, o que também demonstra respeito pelas ideias, sentimentos e opiniões dos funcionários. Ou seja, os grandes líderes importam-se e agem sobre o que os outros pensam.
No entanto a liderança não deve fazer apenas questões, deve também criar uma cultura em que se colocam questões. “Se as pessoas estão a fazer perguntas, é uma boa medida do seu nível de envolvimento”, afirma o jornalista e escritor Warren Berger. O autor, que aborda temas como a inovação ou design thinking, adianta que tal “mostra que as pessoas não estão apenas no piloto automático. Estão a prestar atenção”.

Warren Berger defende ainda que a pergunta humilde é uma das ferramentas mais eficazes nos negócios. Em “The Book of Beautiful Questions: The Powerful Questions That Will Help You Decide, Create, Connect and Lead” o escritor faz uma curadoria das melhores questões, recolhidas a partir de líderes, académicos, empreendedores e outros. E diz que as boas perguntas são curiosas e não conflituosas. E que a manifestação de interesse deve ser genuína. “É fácil fazer perguntas rotineiras do género “como vai isso?”, em que não se importa com a resposta”, acrescentando que “mostra que está interessado se escutar e aprofundar mais com uma pergunta de follow-up”. A Inc.com fez uma seleção de seis questões de liderança de entre as perguntas escolhidas por Warren Berger:

1. Por quê?
A questão fundamental para qualquer pessoa numa posição de liderança é aquela que se coloca a si mesmo. E tem duas partes. Primeira: por que quero liderar? Segunda: por que querem as pessoas que eu as lidere? Warren Berger refere que a resposta à primeira parte deve ser também a resposta à segunda. Poder, glória e dinheiro são motivações razoáveis ​​para almejar a um lugar de CEO, mas não fazem bem a mais ninguém. Por outro lado, “se quer resolver problemas na vida das pessoas ou criar uma grande organização para onde elas queiram ir trabalhar todos os dias, estas sim, são razões pelas quais os colaboradores querem que lidere”, acrescenta. Se a sua ambição não for além dos seus próprios interesses, então é melhor deixar outra pessoa assumir o papel de liderança.

2. Qual é o meu código?
Um líder não pode estabelecer valores organizacionais se nunca articulou valores pessoais. O autoexame deve incluir uma análise cuidadosa de quem foi em diferentes momentos: quando esteve no seu melhor e no seu pior. Os líderes devem também refletir sobre as influências em termos de formação: chefes, professores, parentes ou qualquer outra pessoa cujas lições tenham absorvido. E devem pensar nas ocasiões em que tomaram uma posição que destaca assuntos e valores em que acreditam. “É uma questão bastante complicada, mas que molda a filosofia que norteia o líder e a sua organização”.

3. Qual é o maior desafio que está a enfrentar?
Esta questão, que pode ser geral ou específica (acrescentando as palavras “neste projeto”, por exemplo), revela tanto os problemas em potencial como os insights sobre as prioridades e preocupações dos indivíduos. É frequente os líderes fazerem esta pergunta quando deambulam pelo local de trabalho, ganhando perspetiva enquanto atuam potencialmente como ligação entre áreas díspares de especialização. Uma questão relacionada, “está a fazer progressos?”, obtém um dos principais aspetos que afetam como as pessoas sentem em relação ao seu trabalho. “Se sentem que está tudo no lugar, nota-se, vem à superfície”.

4. Como posso ajudar?
Douglas Conant, ex-CEO da Campbell Soup, considera esta “a” questão de liderança suprema, indica Warren Berger. E que vem no seguimento das perguntas de desafio de progresso, sendo ao mesmo tempo uma expressão de humildade e de apoio. “Deve ser quase o fim das interações”, diz o autor, que ressalva: “as pessoas podem realmente precisar de ajuda. Se isso acontecer, tem de estar disposto a ajudá-las”. 

5. O que estamos a fazer bem?
As organizações tendem a ser ambientes à prova de falhas, com o foco em erradicar problemas antes que se espalhem. “As conversas nos negócios são geralmente muito focadas nos problemas”, afirma Warren Berger. “Tem de fazer estas perguntas. Mas também deve falar sobre o que está a correr bem”. A moral aumenta quando os funcionários têm a oportunidade de falar sobre os seus sucessos – sobretudo com o líder. Além de que também pensam de forma mais positiva sobre o negócio em geral. O líder pode aprender sobre sucessos surpreendentes, como feitos inéditos no atendimento ao cliente ou novas políticas de RH inesperadamente populares – e está em posição de codificar e expandir o sucesso. Pode perguntar “quais são os nossos pontos fortes?” e então “como podemos construir a partir daqui?”, explica.

6. Está claro o que estamos a fazer e por quê?
Os seus principais colegas de equipa – muitos dos quais estão lá desde os primórdios – são fluentes na história e na visão da empresa. Mas, consoante as funções, os novos funcionários concentram-se mais no próprio trabalho e menos na missão abrangente, que pode sequer nunca ter sido bem comunicada. Se a resposta a esta questão for não, é por onde tem de começar: “deixe-me então explicar”, diz Warren Berger.

11-10-2018


Portal da Liderança