Desconfiança? É uma (boa) forma de potenciar o desempenho

Desconfiança? É uma (boa) forma de potenciar o desempenho


Uma certa dose de desconfiança pode ajudar os colaboradores a fazerem um melhor trabalho e a evitarem cometer erros típicos, revela um estudo.

São vários os estudos que apontam os aspetos positivos da confiança na dinâmica de grupo, e caracterizam a desconfiança como um ponto negativo. Mas, afinal, parece que demasiada confiança na forma como se relacionam os membros de uma equipa, pode ser… demasiado. Se os seus colaboradores confiam plenamente uns nos outros, podem cometer erros de forma despercebida. No extremo oposto, a desconfiança pode incentivar as equipas a fazerem um melhor trabalho, de acordo com a pesquisa publicada na revista Group Decision and Negotiation. Paul Benjamin Lowry, professor na Universidade da Cidade de Hong Kong e um dos autores do estudo, define a desconfiança como “uma consciência de potencial perda”.

No sentido de perceber de que forma este conceito de desconfiança afeta as equipas, os investigadores criaram grupos que trabalharam juntos em projetos online. A uns calhou o trabalho de rotina, enquanto a outros foram atribuídos problemas mais complexos e com os quais estavam pouco familiarizados. Mesmo antes de começarem, foi dito a algumas equipas que um dos membros tinha sido secretamente incumbido de sabotar o grupo para obter o resultado errado. O aviso tinha como objetivo semear desconfiança.

Nos grupos que tiveram a seu cargo as tarefas de rotina, a mensagem não teve qualquer efeito. Já nos que fizeram o trabalho mais complexo o resultado foi diferente – tiveram um melhor desempenho. Os investigadores referem que a desconfiança “cria uma maior consciência e necessidade de questionar, que se manifesta através de uma menor predisposição para confiar nas respostas dos outros, havendo mais necessidade de verificar o trabalho”. E adiantam que a desconfiança ajudou a impulsionar o pensamento crítico. Em vez de aceitar as coisas pela sua aparência, os participantes desconfiaram que algo ou alguém iria examinar os factos sob uma nova perspetiva, mais clara.

Isto não quer dizer que, enquanto responsável/líder, deva começar a congeminar planos elaborados para semear a desconfiança entre os funcionários. Os responsáveis pela pesquisa indicam que se deve tomar medidas simples para fazer mudanças e manter as pessoas alerta. Por exemplo, reorganizar uma equipa de colaboradores mais antigos e juntá-los com trabalhadores mais recentes na empresa, ou então fazer algumas alterações nas funções regulares dos funcionários. “Estas intervenções podem causar alguma desconfiança, despertando assim o pensamento crítico, sem no entanto criar qualquer tipo de tensão prejudicial”, concluem.

18-05-2017

Fonte: Inc.com


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