Os funcionários também lideram – graças à inteligência emocional

Os funcionários também lideram – graças à inteligência emocional

A liderança no local de trabalho não está reservada só às posições de topo. E é mais eficaz nos colaboradores emocionalmente inteligentes, qualquer que seja o cargo que ocupam.

Shelley Prevost

O que não falta é literatura sobre liderança de topo nas empresas. Pelo que é normal os trabalhadores olharem para os superiores hierárquicos no sentido de verem a quem a literatura se refere e como tal pode ser útil. Mas é esquecido com demasiada frequência que, para os profissionais modernos, a liderança tem muito pouco a ver com a posição que se ocupa.

Não importa se é um gestor de nível intermédio ou se está na parte inferior da base – cada colaborador é o CEO do próprio trabalho. É a sua empresa e o seu ponto de venda. Pode não gerir o negócio como um todo, mas está no comando da sobrevivência e bem-estar geral da sua posição. O "homem lá de cima” não é responsável por quão bem executa o seu trabalho ou por perceber aqueles que o rodeiam. Trata-se de uma função única e exclusivamente sua.

No passado este tipo de responsabilidade era em grande parte desnecessário porque as descrições das tarefas eram mais concretas – trabalhadores de linha de montagem, de têxteis, mineiros, etc. Era entrar e marcar o ponto, fazer o trabalho, marcar o ponto e sair. Não era muito colaborativo, e as novas ideias não eram tão necessárias. Agora é essencial, enquanto funcionário, abordar as suas funções menos a partir da perspetiva da descrição, e muito mais a partir da perspetiva da colaboração e das relações de trabalho saudáveis. Ou seja, tem o que é preciso para ser um líder no seu local de trabalho, qualquer que seja a sua posição. Tudo começa com um sentido real da inteligência emocional, e termina com uma relação mais recompensadora com o seu emprego.

Ouvir primeiro, e falar depois... talvez
O escritório é competitivo, mas não se iluda em pensar que ter a voz mais alta e mais consistente nas reuniões é o que vai impulsioná-lo para uma promoção. É exatamente o oposto. Os gestores e CEO adoram os funcionários tranquilos que escutam com atenção e contribuem de forma positiva para os objetivos comuns – mas apenas quando necessário. Os trabalhadores que falam mais alto e em demasia são sempre os primeiros a ser ignorados. O mesmo vale para a copa ou sala de descanso. A cultura do escritório cresce com o respeito e o saber escutar. É a única maneira de construir os relacionamentos com significado que aumentam a produtividade e a camaradagem quando saem todos para ir beber um copo.

Nunca se queixar
Pode ser tentador participar em comunidade nos queixumes e autocomiseração no escritório. Há alturas em que o trabalho pode ser mais uma dor de cabeça que um doce. Mas resista ao impulso de falar sobre o que é difícil porque orienta os ânimos para buracos negros dos quais é difícil sair. Tenha atenção em relação às fofocas, a dizer mal do chefe, ou a envergonhar colegas. Depois de um certo, e muito curto, período de tempo torna-se óbvio quem eleva a cultura da empresa e quem a traz para baixo.

Ser o primeiro a oferecer-se
É natural limitarmos o nosso trabalho especificamente ao que é esperado, mas tenha a certeza de que a falta de investimento pessoal não passa despercebida. Hoje os colaboradores fazem muito que nada tem a ver com a descrição da sua função. Aqui é onde a liderança silenciosa é mais audível: quando os chefes precisam de alguém para assumir a responsabilidade extra, que se ofereça em primeiro lugar; ou quando os colegas de trabalho estão sobrecarregados ou a afogar-se num problema, que tenha compaixão e vá em seu auxílio em primeiro lugar. Assim comunica que não está assoberbado pelas suas responsabilidades, e que investe pessoalmente no bem-estar e nos objetivos da empresa.

Assumir a responsabilidade. Sem desculpas
As relações de trabalho deterioradas, quer seja com os colegas ou os clientes, são feridas profundas que demoram muito tempo a curar. Reagir com emoção sem filtros não adianta nada e ainda inspira uma reação em cadeia de negatividade e desconfiança por parte dos outros. Já aconteceu a todos nós, mas não tem de acontecer. Quando estas situações surgem – e elas vão surgir – o maior testemunho do seu carácter e valor para a empresa são a sua honestidade e calma. E se fez asneira, assuma-o e reaja com calma. Se não for o caso, diga claramente o que fez sem atribuir culpas ou fazer acusações. Do ponto de vista do chefe, a capacidade de reagir com equilíbrio e integridade é maior indicador de potencial sucesso do que qualquer erro.

A inteligência emocional enquanto funcionário assume muitas formas, e estes são apenas alguns dos princípios básicos de liderança na cultura da sua empresa. Se está consciente destes pontos e empenhado em ser excelente no seu trabalho, os seus colegas vão começar a procurá-lo para que os oriente sem sequer se aperceber.

Entretanto, para saber se é uma pessoa emocionalmente inteligente e com uma atitude equilibrada no local de trabalho, faça o survey “Avalie o seu nível de inteligência emocional”.

08-06-2017

Fonte: Inc.com


ShelleyPrevost

Shelley Prevost é cofundadora e CEO da Torch, empresa cuja missão é fazer da internet um lugar onde as crianças possam crescer. É também partner na firma de capital de risco Lamp Post Group e na JumpFund, que investe em start-ups com elevado potencial de crescimento lideradas no feminino.