É um bom estratega ou executante? Ou ambos?

É um bom estratega ou executante? Ou ambos?

Apesar do que dizem alguns especialistas, conceber a estratégia e executá-la não são partes separadas, antes pelo contrário.

Roger L. Martin

Poucos líderes são bons a criar boas estratégias e a colocá-las em prática (apenas 8%, de acordo com um estudo). Outro dado interessante: os líderes bons em estratégia são quase sempre também bons na execução – pelo que fazer a distinção entre as duas é fútil. Isto porque a análise pressupõe que o que acontece em termos de execução pode ser separado da estratégia.

O problema com esta distinção é que apenas 1% dos líderes são caracterizados como grandes estrategas que executam mal. E os dados relativos aos executantes da estratégia é idêntico: apenas 1% dos líderes são ótimos a executar e fracos a delinear estratégia. Assim, se houvesse uma distinção significativa a ser feita entre estratégia e execução, seria de esperar números maiores.

Ou seja, estratégia e execução não andam separadas. Dos 11% de líderes que são excelentes “executantes”, 73% (8 dos 11%) também são grandes estrategas, e apenas 9% são maus estrategas. Dos 13% descritos como grandes estrategas, 62% (8 dos 13%) também são “grandes executantes”, enquanto apenas 8% são “fracos executantes”.

Aliás, os participantes neste estudo ligam a estratégia e a execução em todos os níveis de qualidade. Para a maioria dos inquiridos, ser excelente em estratégia e em execução são sinónimos, e não variáveis independentes. E isto é interessante precisamente porque muitos especialistas parecem supor que as duas características são diferentes, e dão conselhos sobre como ser melhor na “execução” com base nesta premissa.

Assim, teríamos uma melhor “execução” se parássemos de usar o termo e passássemos a reconhecer que todos na organização fazem escolhas quanto ao que fazer e o que não fazer. Apelidar algumas dessas escolhas de “execução” está em desacordo com os factos e pode levar a conclusões contraproducentes porque pode distrair as pessoas de pensarem em termos de opções.

Concluindo: a melhor liderança estratégica ajuda a empresa a entender que todas as suas escolhas resultam na estratégia que os clientes experienciam, criando uma estrutura segundo a qual cada pessoa na organização faz as escolhas que precisa de fazer.

17-10-2017

Fonte: HBR 

RogerMartinRoger L. Martin, professor e ex-reitor da Rotman School of Management na Universidade de Toronto, é coautor de “Playing to Win” (Harvard Business Review Press, 2013).