Tem inteligência holofote?

Tem inteligência holofote?

Partilhou ou vai partilhar conhecimento hoje? Ou vai permitir que seja partilhado? Se sim, é porque é um líder com inteligência holofote, daqueles que fazem as conexões onde é preciso fazer, apostando na aprendizagem escalável.

Os líderes devem perscrutar o mundo à procura de sinais de mudança, e serem capazes de reagir de forma instantânea. Vivemos numa época que exige cada vez mais aquilo que o psicólogo Howard Gardner apelida de “inteligência holofote”. Ou seja, a capacidade de ligar os pontos entre pessoas e ideias, onde outros não veem qualquer conexão possível. Hoje é mais importante do que nunca ter uma perspetiva informada, no sentido de antecipar o que vem a seguir e de ter sucesso no futuro emergente.

Já dizia Peter Drucker (considerado o pai da gestão moderna) que “a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”. Mas como podem os líderes das empresas tirar qualquer sentido a partir de um campo de jogo que está em permanente mudança?

Os melhores líderes são os melhores alunos
No sentido de encontrarem o seu caminho nas constantes alterações, os líderes não podem contar com mapas estáticos, nem podem esperar gerir a complexidade fixando-se em detalhes.

A reinvenção e relevância no séc. XXI advém da nossa capacidade de ajustar a nossa maneira de pensar, de aprender, de fazer e de ser. Os líderes devem sentir-se confortáveis a viverem num estado em que estão a “tornar-se” de forma contínua. Os líderes que permanecem no topo das mudanças da sociedade fazem-no por serem recetivos e capazes de aprender. Numa época em que o tempo médio de vida de uma capacidade/competência é de cerca de cinco anos, o líder tem a responsabilidade de renovar a perspetiva a fim de assegurar a relevância da sua organização.

Na tentativa de transitar para uma economia criativa em rede, precisamos de líderes que promovam a aprendizagem e que a dominem de forma rápida, relevante e autónoma. Não há outra maneira de resolver os problemas que se nos deparam. Se o trabalho é aprender e aprender é o trabalho, então a liderança deve ter tudo a ver com a permissão da aprendizagem. A grande maioria dos líderes cita a aprendizagem como sendo importante ou muito importante. No entanto, mais empresas do que nunca relatam que não estão preparadas para enfrentar este desafio. 

Está em curso uma transformação maciça, das instituições concebidas para a eficiência escalável na direção das instituições destinadas à aprendizagem escalável. A chave é encontrar formas de nos conectarmos e participar em fluxos de conhecimento que desafiam o nosso modo de pensar e nos permitem descobrir novas maneiras de nos conectarmos, colaborar e fazer um melhor trabalho, com maior rapidez e mais inteligente.

Dominar o conhecimento pessoal
A vantagem competitiva sustentável está dependente de ter pessoas que saibam como construir relacionamentos, procurar informação, escrutinar as observações e partilhar ideias através da utilização inteligente das novas tecnologias. Os líderes devem ter assim uma estratégia de aprendizagem ao longo da vida, em que assumem o controlo do seu desenvolvimento profissional através de um processo contínuo de procura, de fazer sentido dos inputs que recebem e da partilha.

Procura. Trata-se de encontrar as coisas e de se manter atualizado. Num mundo a transbordar de informação, precisamos de filtros inteligentes para descortinar os dados valiosos. Tal exige avaliar e ajustar de forma regular as fontes de informação em que baseamos o nosso pensamento e tomada de decisão. O que importa hoje é estar conectado a uma rede inteligente de pessoas de confiança ​​que podem ajudar-nos a filtrar informação útil, a expor os nossos pontos mortos e a abrir os nossos olhos.

Fazer sentido. É a forma como personalizamos a informação e a usamos. Inclui refletir e colocar em prática o que aprendemos. É um processo com base no pensamento crítico onde, juntos, tecemos os nossos pensamentos, experiências, impressões e sentimentos para que façam sentido. Ao escrever, manter um blog ou anotar ideias por escrito, por exemplo, contextualizamos e consolidamos a nossa aprendizagem.

Partilha. Inclui a troca de recursos, de ideias e de experiências com as nossas redes, bem como colaborar com os nossos colegas. A partilha é um processo de contribuição, em que passamos o nosso conhecimento em frente, trabalhamos lado a lado, passamos por iterações e aprendemos de forma coletiva a partir de ideias e reflexões importantes. Construímos respeito e confiança ao sermos relevantes quando partilhamos algo nas nossas redes sociais ou falamos perante um grupo.

Há uma ampla gama de ferramentas digitais neste sentido, que são cruciais, mas o domínio na era digital só é alcançado se o líder souber como estabelecer confiança, respeito e relevância nas redes humanas. Ao procurar, tentar fazer sentido e partilhar, todos numa organização podem tornar-se parte de um organismo de aprendizagem, ouvido em frequências diferentes, perscrutando o horizonte, reconhecendo padrões e tomando melhores decisões com conhecimento de causa e de modo informado.

14-01-2019

Fonte: HBR


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